Viveiro de Mudas - Arvores Nativas e Arvores Frutiferas

Vendemos Jabuticabeiras em Vasos
Nossa Jabuticabeiras são produzidas em nosso
Viveiro de Mudas Floresta em Tupã - São Paulo
Endereço:
Estrada Parnaso São Martinho-Tupã-Sp

Viveiro de Mudas - Arvores Nativas e Arvores Frutiferas

Nossa Jabuticabeiras são produzidas em nosso
Viveiro de Mudas Floresta em Tupã - São Paulo

Enviamos Jabuticabeiras para qualquer local do Brasil

Fone : 014 3441 3501

florestamudas@gmail.com

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Jabuticaba para "chupar no pé"

 Essa fruta, nativa da Mata Atlântica, é cheia de qualidades e, em setembro, colore de bolas negras os troncos das árvores

“Se você chupar uma jabuticaba de cada pé, ganha a fazenda”. A provocação é para turistas e visitantes que passam o dia na Vinícola Jabuticabal, em Hidrolândia, distrito de Nova Fátima, em Goiás. O desafio parece fácil, não? Mas quando a pessoa paga uma espécie de aluguel para ‘chupar no pé’ quantas jabuticabas puder, logo descobre o tamanho da encrenca: devorar 31 mil jabuticabas num dia!
A fazenda Jabuticabal justifica o nome: é a maior do País em quantidade de jabuticabeiras e na produção de jabuticabas da variedade pingo-de-mel. São 105 hectares de área plantada. Mesmo de posse dessas informações, ou até por isso, não é que tem muita visita que leva a sério o desafio?
“Cansei de ver gente correndo, sem tempo de chegar ao destino (o banheiro)", conta o administrador da fazenda, Paulo Antonio Silva. Os anos de experiência no manejo e na acolhida de turistas o gabaritam a desmistificar a crença generalizada de que jabuticaba demais trava o intestino. “Ela não trava só, também provoca grandes desarranjos. Depende da moderação e do organismo de cada pessoa”, sentencia.
E a fama da pingo-de-mel já extrapolou fronteiras: a fruta foi apanhada ‘no pé’ por turistas dos Estados Unidos, da Europa e até do Japão. Uma atração nunca imaginada quando os primeiros pés de jabuticaba chegaram à fazenda, em 1947, apenas para consumo familiar. A tradição de porteiras abertas aos visitantes só teve início na década de 1960. Quem estiver de passagem por Goiânia – a fazenda fica a 35 km da capital – pode agendar: a largada na catança das pretinhas básicas começa em setembro e se prolonga por aproximadamente 40 dias, até final de outubro.
A jabuticabeira (Myrciaria cauliflora) é típica da Mata Atlântica e ocorre naturalmente, de forma mais concentrada, na região Sudeste. Mas está plenamente adaptada ao solo goiano, e com vantagens! Segundo Paulo Silva, a família trouxe as primeiras mudas da pingo-de-mel de Minas Gerais. É uma variedade muito próxima da mais famosa, a sabará: um pouco menor no diâmetro, mas tão doce quanto. Na região do Cerrado e com baixa umidade, a árvore se beneficia da falta de parasitas e predadores naturais – como os pulgões – e produz muito, sem necessidade de qualquer tipo de agrotóxico no cultivo. Essa característica agregou valores a outros produtos fabricados com as frutinhas: são 6 tipos de vinho (suave e seco, tinto e branco, todos desenvolvidos pela Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Goiás), mais cachaça e suco. A novidade é o licor. E ainda tem o doce de geléia.
Tudo feito em família: na fazenda trabalham 11 irmãos e são 84 pessoas, da mesma família, de alguma forma envolvidos na produção, dos avós aos netos. Existem apenas 8 funcionários. Assim, a família Silva soma sua história à das jabuticabeiras, ajudando a criar uma espécie de circuito goiano das jabuticabas: outras cinco fazendas na região de Hidrolândia também recebem turistas na colheita da fruta, e existem outras 100 com plantações em crescimento, de olho no potencial comercial.
Nos Estados de origem, a mais doce fruta silvestre da família Myrtaceae faz história desde os tempos sem história escrita, antes da chegada dos europeus ao Brasil. Dos indígenas do tronco tupi-guarani vem o nome, conforme explica Silveira Bueno, em seu Vocabulário Tupi-Guarani Português. Ele escreve jaboticaba com a vogal ‘o’ e esclarece que não há qualquer relação com jaboti: o significado é “a fruta em forma de botão (de flor)”. A grafia popular, jabuticaba com ‘u’, está incorreta, segundo Bueno. Mas poucos resistem a ela, assim como poucos resistem à fruta. Além do consumo humano, os frutos são apreciados por aves, capivaras, porcos-do-mato, cotias, macacos, micos e quatis. A festa da bicharada provavelmente explica a ocorrência de jabuticabeiras em grupos concentrados, dentro da mata, um fenômeno também atribuído, por alguns, ao manejo indígena.
O assédio às jabuticabeiras começa com a florada, de julho a agosto, ou, dependendo da região, de novembro a dezembro (com produção em janeiro e fevereiro). As centenas de flores são brancas, e nascem diretamente do caule, característica conhecida como caulifloria. A floração é um banquete para insetos dos mais variados tamanhos. E enche os olhos de quem antecipa a frutificação.
Os frutos verdes aos poucos se tornam roxos e depois escurecem até o negro-brilhante. A polpa, suculenta, mole e esbranquiçada, pode apresentar até quatro sementes. Normalmente os meses mais produtivos são setembro e outubro, mas há variações conforme a região, o clima e a variedade de jabuticaba.
“Comparada a outras espécies da mesma família das mirtáceas, como a goiabeira, por exemplo, a jabuticabeira demora o dobro do tempo para produzir frutos, de 8 a 12 anos, em média”, explica o pesquisador e mestre em agronomia Eduardo Suguino. A variedade sabará tem um dos menores frutos – entre 1,5 e 2,5 centímetros de diâmetro –, mas é uma das mais saborosas para consumo in natura. A jabuticaba paulista e a ponhema têm uma grande produção e um dos maiores frutos – até 5 cm de diâmetro –, porém é considerada mais ‘aguada’ e, por isso, destinada à fabricação de doces. Depois da primeira safra, a produção se repete por anos e anos. Há registros de pés que frutificaram por mais de meio século!
O desenvolvimento da árvore depende da variedade, as maiores atingem 15 metros de altura. A madeira é flexível, resistente, e é usada nas chamadas pequenas construções e na produção de móveis (cadeiras, mesas, ripados, etc). No trato, a jabuticabeira necessita de cuidados constantes, sobretudo na freqüência da ‘aguada’ durante o período de floração, fator importante na formação dos frutos.
Boa para a saúde
E uma pesquisa científica, realizada na Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Goiás, já concluída e em fase de publicação internacional, confirma os benefícios terapêuticos do vinho de jabuticaba como antioxidante.
“No vinho de jabuticaba encontramos até três vezes mais polifenóis do que no vinho de uva. Desses polifenóis, os mais importantes são a quercetina e a rutina”, revela Eduardo Ramirez Asquieri, doutor em Engenharia de Alimentos e coordenador dos estudos, que contaram com a colaboração do professor André Souto, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). “A quercetina e a rutina possuem propriedades antitumorais, antiglicêmicas, ajudando a combater o colesterol ruim (LDL) e aumentando o colesterol bom (HDL), além de servir para o sistema nervoso”.
Esses resultados de pesquisa podem significar melhora de qualidade de vida para pacientes diabéticos e portadores de doenças como o mal de Alzheimer. Quem consome jabuticaba ainda estimula o apetite. A fruta é ‘reanimadora’: contém compostos de vitamina C, B2 e B5, e é fonte de minerais como cálcio, ferro e fósforo. Na medicina popular, o chá das cascas de jabuticabas é empregado no tratamento de angina, disenteria e erisipela. Ainda na forma de chá, a entrecasca do fruto é usada contra asma.
Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está em estudo seu emprego na substituição dos corantes sintéticos dos alimentos. A casca das jabuticabas contém antocianinas, pigmentos naturais presentes em frutas e flores cujas cores puxam para o roxo ou o vermelho.
Não faltam qualidades e benefícios às jabuticabas. É mais que justificado, portanto, o apreço histórico e cultural dos brasileiros para com a fruta. Ela merece inclusive as festas e os festivais gastronômicos que, até o final do ano, são promovidas em sua homenagem, em várias cidades mineiras, paulistas e fluminenses.
Essa cumplicidade atravessa gerações e está registrada e documentada em livros, poesias e cartas pessoais. Em 1895, Antonio Carlos de Arruda Botelho, o conde de Pinhal e dono de uma fazenda repleta de jabuticabas na região de São Carlos, interior paulista, insiste numa carta para que a esposa volte da Europa, “porque as jabuticabeiras todas já estavam florindo e prenunciando a mais doce fartura para os últimos dias de outubro”.
Já o poeta Carlos Drummond de Andrade, em trecho de Menino Antigo, nos adoça os sentidos com uma travessura de infância: “Atrás do grupo escolar ficam as jabuticabeiras / Estudar, a gente estuda / Mas depois, / ei pessoal: furtar jabuticaba / Jabuticaba chupa-se no pé”.
Assim, se um vendedor de rua acaso passar com a carriola a vender jabuticabas por litro, compre. Mas não se furte ao prazer de seguir o conselho do poeta: arrume um tempinho, um bom vizinho ou um cantinho de quintal e experimente, pelo menos uma vez, chupar jabuticaba ‘no pé’.

Nomes para todos os gostos
Os nomes populares variam: jaboticaba, jabuticaba, jubuticaba-preta, jabuticaba-rajada, jaboty-caba, yva-hu, sabará, jabuticaba paulista. Em geral, eles se referem à espécie Myrciaria cauliflora. Mas há outras espécies muito próximas: M. jaboticaba, M. peruviana, M. coronata, M. grandiflora, M. aureana, M. phitrantha e M. alongata. Algumas têm frutos mais azedos, ou com gomos, os de casca áspera, um pouco maiores ou um pouco menores. Mas as variações não comprometem a fama nem o sabor da frutinha.
Receita do kassab
Nossa por excelência
Deve ter acontecido umas duas ou três vezes – mas foi sempre inesquecível. Na temporada de jabuticabas, meus pais, meus irmãos e eu nos juntávamos a primos, tios, tias e parentes de graus variados, além de amigos das famílias, e rumávamos para Franca ou São José da Bela Vista, em São Paulo. Lá alugávamos pés de jabuticaba. Isso mesmo: por preços que me pareciam uma pechincha para a época, deixávamos os pés da fruta mais lisos do que antes da florada. E saíamos felizes da vida com baldes e latas carregados da fruta, que mais tarde serviria para fazer geléia, sucos, doces... Ou apenas para ser apreciada in natura por uma família que jamais dispensou uma vasilha cheia de água gelada, em cuja superfície despontavam as cascas escuras de uma delícia que o Brasil tem o privilégio de possuir em seus pomares, campos e matas.
Enfim, jabuticaba sempre foi sinônimo de coisa doce – e mal sabíamos o que estávamos perdendo. Quem emprestou, nos anos 80, ainda mais categoria ao ingrediente, foram os cozinheiros franceses contratados pela então nascente indústria hoteleira nacional. Não foi só a jabuticaba, é claro – maracujá, fruta-do-conde, cupuaçu, a lista é imensa –, mas foi nessa época que ela saltou dos pés, jarras e compoteiras diretamente para dentro das panelas, cobrindo carnes e aves (as caças, especialmente), em copos de batida de cachaça ou vodka, e até mesmo em sobremesas à base de chocolate e tortas de massa crocante. Claude Troisgros, um dos pioneiros, não perde uma oportunidade de falar bem da jabuticaba, assim como grandes chefs de cozinha, brasileiros e estrangeiros. Eles sabem o que dizem.
Fonte:
http://www.terradagente.com.br/NOT,0,0,392770,fruta+arvore+jabuticaba+para+chupar+no+pe+flora.aspx

Nenhum comentário:

Postar um comentário